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BRASIL - Declaração de voto (por Frei Betto, ALAI)

segunda-feira 20 de novembro de 2006, por Dial

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27 de outubro de 2006 - ALAI - O que está em jogo na eleição de 29 de outubro é o futuro do Brasil. Não se trata de dar o voto ao candidato mais simpático nem àquele que parece ter vencido o adversário nos debates. A questão é mais séria: trata-se de preservar e fortalecer a soberania brasileira, bem como assegurar o desenvolvimento sustentável.

Não quero nunca mais ver o nosso ministro das Relações Exteriores tirar os sapatos na alfândega dos EUA, como fez Celso Lafer, chanceler do governo FHC. Celso Amorim, do governo Lula, jamais se submeteu a tamanha humilhação. País que se preza não se verga diante do Império. Bem fez o governo Lula ao recusar a proposta “made in Bush” da Alca, que reforçaria a América Latina como colônia dos EUA.

Há que comparar os dados do governo do PSDB, em oitos anos de FHC, com os do governo do PT. No primeiro, a Polícia Federal contava com 5 mil agentes; hoje, são 11 mil. Isso explica as operações freqüentes contra o crime organizado, os sonegadores, inclusive militantes políticos ligados ao PT, como é o caso dos envolvidos no dossiê Vedoin. Em 8 anos de PSDB, a Polícia Federal prendeu 54 pessoas. Em 4 de governo Lula, 2.971.

O atual governo criou 7 milhões de novos empregos com carteira assinada; o anterior, 700 mil. O nível de desemprego nas regiões metropolitanas era de 11,7%; hoje é de 8,3%. As exportações totalizaram US$ 60,4 bilhões em 8 anos de FHC. No governo Lula, US$ 118,3 bilhões. Em 2002 a balança comercial tinha um saldo negativo de US$ 8,4 bilhões. Hoje, o saldo positivo é de US$ 103,3 bilhões. O risco país era, naquele ano, de 2.400 pontos. Hoje, 204, o nível mais baixo da história do Brasil.

Quem viveu o governo Sarney sabe o quanto a inflação deteriorava o país e, sobretudo, a renda dos trabalhadores. No governo FHC, era de 12,53% ao ano. Hoje, 2,8%, o que explica o preço mais barato de gêneros de primeira necessidade e a estabilidade econômica, além do crescimento da renda da população mais pobre. De cada 100 miseráveis, 19 passaram à classe média média.

A dívida com o FMI, sob FHC, era de US$ 14,7 bilhões. Hoje está zerada. Não há mais missões do FMI metendo o nariz em nossas contas e ditando regras do que devemos ou não fazer.

O governo do PSDB investiu R$ 38,2 bilhões em desenvolvimento. O governo PT, 47,1 bilhões. O BNDES investiu em micro e pequenas empresas R$ 14,99 bilhões no atual governo. No anterior, apenas R$ 8,3 bilhões. Os empréstimos para compra de casa própria somaram R$ 1,7 bilhão no governo anterior. No atual, R$ 4,5 bilhões. O PIB cresceu 2,3% ao ano na gestão FHC e 2,6% ao ano na era Lula. Os juros no governo anterior eram de 25% ao ano. Hoje, 14,25%.

O crédito à agricultura familiar cresceu 2,4% nos oito anos de FHC; e 6,1% nos quatro anos de Lula. O governo atual investiu R$ 7,5 bilhões na safra 2005/2006 e mais R$ 10 bilhões na safra 2006/2007. Em 2002, FHC investiu R$ 2,5 bilhões.

O salário mínimo subiu 20,6% na gestão anterior e 25,3% na atual, com ganho real de 25,7% em três anos. O salário mínimo comprava 1,3 cesta básica; hoje, adquire 2,2 cestas básicas.

Às famílias mais pobres, o governo tucano transferia uma média mensal de R$ 25. O governo petista, via Bolsa Família, transfere R$ 70 em média a 11,1 milhões de famílias, favorecendo mais de 40 milhões de pessoas.

Cerca de 70 milhões de pessoas são atendidas, hoje, pelo programa Saúde da Família. No governo anterior não passaram de 55 milhões. Na região do semi-árido, foram construídas, nesses últimos quatro anos, 152 mil cisternas de captação de água da chuva. No governo anterior não havia investimento naquele importante programa. O Pró-Jovem concede R$ 100 por mês a 93 mil estudantes de 18 a 24 anos. Na era PSDB não existia programa semelhante.

Desde a chegada de Cabral do Brasil até 2002, o governo federal preservou 40 milhões de hectares. De 2003 a 2006, foram preservados mais 19,6 milhões de hectares de nossas matas e florestas.

A mortalidade infantil indígena, por 1.000 habitantes, era de 55,7 na gestão tucana. Hoje é de 21,6. Em alimentação escolar o governo FHC investiu R$ 848 milhões. O atual, R$ 1 bilhão. O Brasil atraía cerca de 4 milhões de turistas por ano no período de FHC. Hoje, cerca de 5 milhões.

O governo Lula distribuiu 7 milhões de livros para alunos do ensino médio. O governo FHC, nenhum. O programa Luz para Todos (eletrificação rural) beneficia 3 milhões de pessoas. No governo tucano, apenas 2,7 mil, além de levar a nação a suportar os apagões por falta de política energética. O governo do PSDB privatizou empresas públicas e estatais no valor de R$ 100 bilhões. O governo do PT nunca alienou o patrimônio público.

Os dados têm como fontes: IBGE, IBGE/Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios - desde 1994); ANEEL; Bovespa; CNI; CIESP; ministérios; agências reguladoras; SUS; CES/FGV; jornais FSP, O Globo e O Estado de S. Paulo. A pesquisa foi feita pelo professor Eduardo Marques, do Departamento de Ciência Política da USP, estudioso de políticas públicas no Brasil.


Frei Betto é escritor, autor de Alfabetto – Autobiografia Escolar (Ática), entre outros livros.
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